Homeopatia, USP e a tristeza do mundo(demariarita)

Hoje eu fui numa consulta médica. Homeopata. Foi minha primeira consulta com ela, por isso – e porque era uma verdadeira homeopata – a consulta durou 40 minutos. Entre muitas e muitas perguntas que ela me fez duas foram mais marcantes.

O que me irrita? Bem, desde que vendi meu carro posso dizer que estou menos irritável. TPM me deixa irritada, mas não me irrita, então não responde a pergunta. Grosseria me irrita. Grosseria me deixa P da vida. Vai se f*der! Se as pessoas fossem menos grosseiras umas com as outras, certamente teríamos uma vida muito mais tranqüila e menos pessoas irritadas andando por aí e sendo grosseiras.

O que me deixa triste? Vixi… aqui eu poderia começar a falar da minha vida, de todas as perdas que tive desde os 4 anos de idade, das dificuldades, das desilusões e todas essas coisas aí. Contudo, olhando para a minha vida hoje, nenhuma dessas coisas me fez mais triste ou menos capaz, pelo contrário, me fortaleceram e me fizeram quem eu sou: uma pessoa feliz.

Mas daí voltei pra casa, feliz da vida por ter achado uma verdadeira homeopata na listinha do convênio e me debrucei sobre as notícias, pareceres e pontos de vista sobre o acontecido na USP. E percebi: isso me deixa triste.

Me deixa triste a generalização.

Eu estudei na FFLCH e não fumava maconha. Tinha sim amigos que fumavam maconha no “morrinho”, alguns muito mais inteligentes que eu e que, ao contrário de quem vos fala, nunca tiveram uma reprovação no histórico escolar.

Esses filhinhos de papai que não dão o devido valor a uma universidade pública. Bem, será que eu deveria me incluir no grupo de filhinhos de papai?  [O que é mesmo um filhinho de papai?] Apesar de não ter nascido em berço de ouro, meus pais progrediram financeiramente quando eu cheguei na adolescência e me colocaram num colégio particular durante o Colegial (Ensino Médio), me mandaram estudar inglês fora. Na minha turma na FFLCH, tinha uma galera do Equipe, do Humbolt, mas também várias pessoas que vieram de escola pública. Até hoje somos todos grandes amigos, independente do nosso “passado”.

Enfim, não quero aqui entrar nesses detalhesinhos, porque confesso: odeio ter que ficar argumentando isso e aquilo, medindo quem sabe mais nomes, datas e detalhes das coisas e histórias. Eu sou péssima em decoreba. Sempre fui. Por essas e por outras que sempre me dei mal em convencer os outros. Até que eu descobri uma boa definição: sou do tipo “intuitivo” e ponto final.

Mas voltando à minha tristeza, que é o que me interessa. Me deixa triste as pessoas se darem ao trabalho de ligar a televisão e só a televisão. Confesso que nem sei o que andam falando sobre a USP na TV, porque eu não tenho mais TV em casa.

Me deixa triste as pessoas estarem lendo apenas os jornais da “grande mídia” e não se darem ao trabalho de procurar fontes alternativas para saber mais sobre os acontecimentos. E acreditem: tem muito texto bom por aí (links abaixo), que abordam a questão sem que sejam tendenciosos.

Por outro lado, me deixa triste ver que o movimento estudantil não evoluiu nada, ou quase nada, desde o tempo que eu estava na USP. Porque, com um pouco mais de maturidade, a gente percebe que não é assim que se abre um canal de diálogo. Não é desrespeitando uma decisão da assembléia e ocupando a reitoria que o reitor vai sentar e conversar com vocês. Não é assim…

Há alguns meses participei de um jantar no qual estava o e/ou a presidente de uma ONG ambientalista que adora fazer um barulho por aí. Eu sempre achei que eles só faziam barulho… que nada! O barulho é parte de uma estratégia maior, na qual há um canal claro de valorização do diálogo aberto e direto. Não é barulho por barulho correndo-se o risco de ter a porta do dialogo fechada na cara.

Qual era a estratégia de quem invadiu a reitoria? Fazer barulho ou abrir um canal de diálogo? Se me disser que foi a segunda opção parem tudo que eu não estou entendendo mais nada!

Por fim, essas coisas todas é que me deixam profundamente triste. Triste com a forma como tudo vem se desenrolando e como as pessoas estão, cada vez mais, grosseiras umas com as outras.

Ah! E sabe o que mais? [Não poderia deixar de contar essa] Estamos tão mau acostumados com as gentilezas e tão incorporados à grosseria que outro dia, voltando de uma viagem internacional, eu fui a única a dar bom dia pro cara da Receita Federal… óbvio que ele me mandou dar meia volta e passar no Raio-X! Tão mal acostumado, tadinho…

Pra finalizar tudo isso, que pode não ter dito nada, segue uma listinha de textos que explicam bem o que anda acontecendo na USP e tentam mostrar um pouco do buraco que está mais pra baixo do que a maioria costuma olhar.

[e tomara que com esse texto aqui a minha homeopata tenha mais material para entender o que me deixa triste]

Ocupação patética, reação tenebrosa

Marcelo Rubens Paiva

Autonomia Seletiva

Raquel Rolnik 1

Raquel Rolnik 2

Mario Maestri

(e por aí vai… é só pesquisar um pouco que você acha coisa interessante pra ler)

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